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Luiz
Andrioli
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Não Só as Balas Matam a poesia de uma cidade.
A
poesia da cidade está morrendo e não é culpa das balas. A
morte velada ronda Curitiba. Ando pela cidade e não reconheço
a Curitiba contada nas histórias de meu pai, Seu Osvaldo, que
entregava roupas para uma lavanderia numa bicicleta, andando
pela Rua XV, contando as pedaladas até a Mateus Leme. Pelo acrílico
da estufa de flores, símbolo imposto, vejo a Curitiba de meu
pai com algodão no nariz, velada por duas velhas de luto.
A
idéia de escrever uma peça faroeste foi inspirada num espetáculo
levado aos palcos curitibanos em 1982. O texto do
"imortal" Nelson de Paula "O Tubarão do
Deserto" foi encenado pelo Teatro Acto Vivo, com a direção
do meu amigo Fernando Klug.
Se
me fosse pedido uma frase para resumir a história deste espetáculo,
um epitáfio para "Não Só as Balas Matam", diria as
palavras do personagem Frederick Joyce: "façamos a revolução
antes que o povo a faça". Minha utopia é que esta idéia
reacionária nunca saia da ficção... Espero que não seja
tarde demais!
Dedico
esta peça para três grandes mulheres: minha mãe, sempre uma
palavra e um sorriso; Jacqueline, minha amada imortal; e para a
cantora Cris, uma voz que faz sonhar... "
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